sexta-feira, 13 de maio de 2011

VOCÊ SABE ANDAR DE GARUPA?



Depois que comecei a andar de moto descobri duas coisas, a primeira era que muita gente não sabe andar de garupa, e a segunda era que eu mesmo não sabia. O relacionamento piloto/garupa chega a ser quase uma arte.

Para andar na garupa é necessário atenção e sincronia com o piloto, isso é muito importante para a segurança pois, um garupa desatento ou que não tenha um comportamento adequado, pode causar um acidente levando ambos ao chão.



Questão de Segurança

Para começar, as roupas utilizadas pelo garupa devem ser adequadas, como calça e casaco jeans ou de couro, capacete decente e, se possível, luvas. E evitar bolsas grandes e penduricalhos, como longos cachecóis.

Botas ou calçados fechados são fundamentais, mas às vezes dá trabalho convencer as mulheres de sua importância – não se renda: ou é assim ou ela vai de ônibus. Nas quedas, mãos e pés sempre se machucam.

O garupa deve subir na moto como se estivesse montando um cavalo: apóia um dos pés sobre uma das pedaleiras, passa a perna sobre o banco, apóia o outro pé sobre a pedeleira do lado de lá e ajeita-se até encontrar uma posição inicialmente confortável.

Para este mesmo momento é bom alertar que nunca se deve subir na moto sem avisar o piloto, ainda mais sobre pisos escorregadios ou irregulares. O ideal é avisar: “subindo pela direita”, por exemplo.

Caso a moto não tenha sissy-bar, o ideal é que ele mantenha o corpo ereto ou, no máximo, incline-se levemente para a frente (nunca para trás). Pode segurar nas alças traseiras ou no piloto, mas prestando atenção para não enforcá-lo e não apoiar seu peso sobre ele – o que atrapalhará a pilotagem.

Nas freadas e arrancadas, deve segurar-se nas alças (e não no condutor) ou compensar o desequilíbrio momentâneo com leves inclinações do corpo. Nas motos com sissy-bar, basta ao garupa encostar-se ali e manter os braços cruzados ou apoiados sobre os joelhos.


Cuidados nas curvas

Nas curvas, o garupa não deve ficar achando que vai cair a todo instante e com isso, instintivamente, inclinar-se para o lado contrário. Isso desequilibra a moto e atrapalha o piloto. O ideal é que fique relaxado sobre o banco – garupas “duros“ que nem uma pilha de tijolos tendem a fazer a moto rebolar nas curvas.


O garupa deve evitar ao máximo fazer movimentos bruscos – e quanto menor a moto, mais esses movimentos a desestabilizam. Em altas velocidades, se possível, o garupa deve ficar mais próximo do piloto. Isso centraliza o peso sobre o banco e reduz as turbulências causadas pelo vento.


Viagens noturnas

Nas viagens noturnas muitos garupas, tomados pelo tédio, tendem a dormir (não é brincadeira, é sério). Nesse caso é bom dar uma parada e tomar um café forte para se manter acordado. Outra boa dica é dar ao garupa algo para mastigar: dificilmente alguém adormece mascando um chiclete, por exemplo.

Em viagens aliás, é bom que o garupa evite, também, ficar olhando para o velocímetro, por cima do ombro do piloto – e, mais ainda, reclamar da velocidade através de cutucões, joelhadas laterais etc. Às vezes é difícil, mas ajuda.

Chegou? Ótimo, mas o garupa só desce da moto depois de avisar ao piloto (mesmo procedimento de “embarque”). E enquanto o piloto estiver manobrando a moto, o passageiro jamais deve tirar os pés das pedaleiras. Por fim, cabe ao garupa carregar os capacetes e oferecer um café ao heróico piloto que lhe levou para passear.







Fonte: www.motorpasion.com.br

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A ARTE DE PILOTAR EM BAIXA VELOCIDADE



(texto publicado originalmente na HOG Magazine, ISSUE 22 - January-2011, “Taking it Slow – the fine art of riding a big bike at low speeds”. Tradução livre de Carlos Gityn Hochberg).

Muitos de nós já vimos aqueles vídeos de policiais norte-americanos, em Electra Glides, fazendo manobras no meio de cones, em competições muito apreciadas lá em cima. Estas competições são levadas muito a sério e realmente têm uma plástica toda própria. Aqui no Brasil damos pouquíssima atenção a este conjunto de técnicas e, paradoxalmente, nós, que pilotamos motos pesadas, dificilmente nos preocupamos com elas.

Sempre vemos gente “andando” com a moto na hora de manobrar (os americanos chamam isto de “duckwalking”, ou “andar como um pato”, que é uma imagem bem fiel disto). Além da falta de elegância, há o indubitável atestado de incompetência ao pilotar a moto. Um amigo meu riu quando eu disse que iria fazer o curso de baixa velocidade: “Você vai pagar só pra andar devagarinho?” Pior que a ignorância é a ignorância da ignorância…

Pilotar uma moto pesada em baixa velocidade e fazendo curvas é difícil. Há toda uma técnica envolvida, e não é pouca. E conhecer estas técnicas é importante, mesmo que seja somente para nos salvar do vexame de derrubar nossos “caminhões” a 5 km/h, normalmente na frente de uma grande platéia. Pilotar devagar e em linha reta não é a parte mais difícil. Pilotar em baixa e, ao mesmo tempo, fazendo curvas é que traz um monte de emoção à tona. Com a técnica própria, paciência e treino, podemos, em pouco tempo, fazer a maioria das manobras do pessoal que participa dos concursos lá fora.

Assista e aprenda

Assistir aos vídeos dos policiais americanos naquelas exibições/competições é bem instrutivo. O pessoal é “profissa”. Há diversos vídeos destes no Youtube, por exemplo, e dá pra ver como os caras usam o corpo nas manobras. Em baixas velocidades, eles “deitam” a moto para dentro da curva e o corpo para fora dela. Desta maneira, eles equilibram o conjunto e permitem que a moto deite mais e, em conseqüência, as curvas podem ser feitas mais “fechadas”, sem que o conjunto tombe.

Observe, também, que eles sempre viram a cabeça para onde querem que a moto vá. Isto é importantíssimo em baixas velocidades.


Diminua, olhe, empurre e acelere

Nos cursos Rider’s Edge e outros oficiais da MSF (Motorcycle Safety Foundation – é uma fundação que estuda o assunto de segurança em pilotagem de motos e desenvolve curso, material didático, etc. para motociclistas e motoristas), é ensinada a técnica do “diminua, olhe, empurre e acelere” para se fazer curvas. Em curvas de baixa velocidade, bem “apertadas”, o processo é similar, mas é interessante dividir este processo em suas etapas e analisá-las uma a uma.

Diminua

Ao preparar-se para fazer uma curva lenta e apertada como, por exemplo, um retorno a 180º, não diminua a velocidade antes do que é realmente necessário. Motocicletas perdem estabilidade ao diminuírem sua velocidade e, portanto, manter um pouco mais de velocidade o ajudará a mantê-la mais ereta e equilibrada. Aproxime-se da curva a uma velocidade que você não necessitará frear dentro da curva.

Olhe

Talvez nem precise ser dito, mas a primeira parte de “Olhe” requer que verifiquemos se é seguro e permitido fazermos a tal curva a 180º. Verifique se o tráfego permite e se não há obstáculos ou resíduos na trajetória pretendida. Verifique também se você tem uma folga para a manobra, caso a curva não seja executada tão apertada quanto você desejava.

Caso haja degrau no acostamento, cascalho profundo ou outro perigo, talvez seja melhor ir mais para a frente e achar um lugar melhor para virar.

Ao preparar-se para efetivamente virar a moto, vire sua cabeça na direção da curva. Olhe para onde você quer ir na curva e não para a frente de sua moto. Isto é importante em qualquer curva e em especial em um retorno a 180º. Mantenha a cabeça erguida e os olhos nivelados e, caso necessário, vire os ombros também, para que sua cabeça guie seu corpo e moto em um arco suave contínuo.

Empurre

Para começar a curva, empurre o lado do guidão de DENTRO da curva. A isto se chama “contra-esterço” (é um efeito MUITO importante quando se pilota motos pesadas) e ele irá inclinar a moto para dentro da curva, na direção em que você quer ir, iniciando a curva. Em baixas velocidades, após a moto inclinar-se, o guidão deve ser revertido do contra-esterço, com a roda, agora, apontando para dentro da curva.

Para conseguir uma curva bem apertada, jogue seu peso para o lado DE FORA da curva (mais sobre isto adiante), apoiando-se na pedaleira de fora ao começar a virar.

Acelere

Um dos aspectos menos compreendidos e mais importantes de curvas em baixas velocidades é, talvez, o menos intuitivo: manter uma velocidade constante na curva. Mantenha o motor girando um pouco acima da marcha lenta, em rotação constante, e controle sua velocidade “queimando” a embreagem.

Se você percebe que está tombando para dentro da curva, seu instinto pode ser o de desacelerar a moto, mas isto só irá PIORAR a situação. Em vez disto, ACELERE um pouco e a moto se equilibrará novamente, ajudando-o a completar a curva sem ter que tocar o chão com o pé, o que pode ser perigoso. Enquanto completa a curva, acelerar um pouco irá reendireitar a moto enquanto você vai em direção oposta.


Incline-se para fora e não para dentro!

Em corridas, em curvas de alta velocidade, os pilotos normalmente jogam seu corpo para dentro da curva, em uma maneira tão extrema que normalmente arrastam os joelhos na pista (uma manobra conhecida como “pêndulo”). Esta manobra move o centro de gravidade do conjunto moto-piloto em direção ao centro da curva e permite que façam curvas inclinando menos a moto em altas velocidades.

Em curvas de baixa velocidade fazemos o contrário. Precisamos aumentar ao máximo o ângulo de inclinação da moto – assim, diminuímos o raio da curva. Pilotos experientes transferem seu peso para o lado de fora da curva. Não é necessário transferir muito peso para o lado de fora – um pouquinho já ajuda muito. Mas, pilotos experientes, como aqueles das competições em baixas velocidades, podem fazer isto de maneira realmente dramática.

Para fazer curvas bem apertadas a baixa velocidade, levante totalmente do banco e deslize para a parte de fora da moto. A maior parte de seu peso deve estar apoiada na pedaleira de fora da curva. Esta técnica de “contrapeso” permite que você incline a moto bem mais do que normalmente faria e o raio de curva diminui consideravelmente, sem que haja necessidade de mais força centrípeta para manter o equilíbrio.

Nem sempre, entretanto, é necessário ou desejável fazer curvas muito apertadas. Por exemplo, em estacionamentos, você pode achar que a melhor maneira de manobrar sua moto é com os pés no chão. Muitas vezes esta é a melhor maneira de estacionar a moto, mas não sem seus riscos – alguma prática é necessária.

Normalmente, motos grandes caem ao serem manobradas ao estacioná-las ou sair de estacionamentos. Manobrar uma moto de ré pode ser complicado, ou mesmo impossível se há um aclive atrás da moto…. Evite o erro do principiante de estacionar sua moto de frente em uma descida e sem espaço para uma manobra que a possa tirar desta situação desagradável. O melhor, caso esteja em uma descida, é melhor estacionar de ré – aí você sai de frente, usando o motor, claro.

Ao estacionar de ré, não vire muito sua cabeça para trás. OK, os instrutores normalmente dizem para você girar bem a cabeça para trás. Mas, ao fazer isto, você pode, sem querer, também virar ombros e tronco, deslocando o centro de gravidade do conjunto e o desequilibrando. E, caso sua moto comece a cair, você não estará na melhor posição para aprumá-la novamente.

Antes de ir para trás, tente colocar a moto em uma posição em que você se deslocará em linha reta em vez de ter que virá-la indo para trás. Vá devagar. Você precisará usar o freio dianteiro para controlar a moto ao ir para trás e tenha em mente que, se usar muito freio dianteiro enquanto estiver fazendo uma curva, mesmo que suave, a tendência é que a freada tenderá a incliná-la ainda mais. Portanto, freie suavemente e mantenha a moto o mais ereta possível.

Caso você se encontre naquela situação desagradável de estar estacionado em um declive e a única saída é ir para trás, não tenha receio de pedir ajuda. Peça ao seu garupa ou amigo motociclista ou mesmo a alguém que esteja perto que o empurre devagar e com cuidado para trás, até que você alcance um posicionamento que permita que você saia de onde está com meios próprios.


Caso você seja baixo, manobrar sua moto com os pés no chão é aquela situação em que você perceberá se a moto serve ou não para você. Caso você mal consiga encostar com os dedos do pé no chão, sua capacidade de manobrar a moto apropriadamente (ou mesmo equilibrá-la, caso ela comece a tombar) será muito limitada. Lembre-se: bancos e suspensões mais baixas podem ser obtidas no mercado para melhorar seu conforto e capacidade de manobra.

Na prática

Como em tudo na vida, a melhor maneira de melhorar estas habilidades é praticando-as. Procure algum estacionamento vazio e marque um círculo de 8 m de diâmetro (nós usamos bolinhas de tênis velhas cortadas ao meio). Caso você consiga fazer duas curvas consecutivas dentro do círculo, você estará melhor do que os alunos que fazem o curso “Rider’s Edge Skilled Rider Course” (curso para motociclistas avançados, em tradução livre). E pratique em ambos os sentidos, horário e anti-horário. Curvas em sentido horário podem ser mais difíceis, já o acelerador está na mão direita, que estará bem perto do corpo, dificultando o uso do mesmo.

Você ficará surpreso em quão rápido suas habilidades melhorarão com apenas um pouco de prática (supondo-se que você use a técnica correta, claro). Melhor ainda, faça um curso credenciado (não temos isto aqui no Brasil…) com bons instrutores.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MOTO NA CHUVA.......CUIDADO


Quem depende da moto para trabalhar normalmente não pode se dar o luxo de ficar em casa quando o céu está preto, anunciando um temporal. Faça chuva ou faça sol, o tempo não para. E o serviço também não. Então, o jeito é se vestir adequadamente e cair no mundo, mas não antes de tomar algumas precauções.

Além de diminuir a visibilidade dos motoristas, a chuva deixa as pistas bastante escorregadias e forma poças d'água em vias esburacadas - o que não falta nas cidades. Tudo isso é sinal de perigo, portanto, definitivamente, a regra número um é reduzir a velocidade.

Em alguns casos também é importante ligar a luz baixa do farol e aumentar a distância do veículo à frente, pois com as ruas molhadas a frenagem fica mais lenta. Isso acontece graças ao disco de freio, que quando molhado apresenta um breve retardo. Nesse caso, é comum o motociclista pressionar ainda mais o manete, e é exatamente aí que acontecem as quedas, já que essa atitude faz com que as pastilhas deslizem e sequem rapidamente, bloqueando a roda.

Manobras bruscas, então, nem pensar! Elas também podem travar as rodas e fazer com que a moto derrape por falta de aderência ao solo, que ocorre quando a chuva forma uma camada chamada aquaplanagem, impedindo o contato do pneu com o asfalto.

Quando estiver na cidade, evite o canto interno das curvas. É lá que fica a sujeira varrida pela água e também onde circulam os veículos pesados, geralmente acumulando óleo e combustíveis na pista, que são um verdadeiro sabão quando molhados.

Outras dicas importantes

- Evite os primeiros minutos da chuva. É nesse período que a água lava a pista, retirando os resíduos que podem ser ainda mais escorregadios;


- Tente seguir as marcas deixadas pelos pneus dos carros para garantir um pouco mais de aderência;


- Não deite a moto nas curvas. Saia levemente do banco, compensando a inclinação;


- Drible as poças d'água, pois elas podem esconder perigos maiores, como buracos e pedras;


- Não use os freios bruscamente;


- Evite andar nas faixas de sinalização porque molhadas elas ficam um verdadeiro sabão.;


- Tome cuidado ao passar por um local muito alagado, um carro poderá ultrapasá-lo ou vir em sentido contrário e além de molhá-lo poderá derruba-lo.


TEXTO: Valdeci Von Mulhen TABORDA, membro do KANSAS CLUBE LEÕES DO ASFALTO - RECIFE-PE